prosa

Serenata Caipira

Serenata Caipira



por Cláudia Pereira de Andrade Damião


E, assim que anoiteceu, João pegou sua viola e foi para a frente da casa de Rosa. Esperou a pequena luz da casa se apagar e começou a tocar.


Bem afastado da cidade vivia seu Gumercindo, homem valente e destemido. Com ele morava a filha Rosa, moça bonita, mas prisioneira dos caprichos do pai. Seu Gumercindo vigiava a filha dia e noite, e nenhum rapaz se atrevia a chegar perto de Rosa. Eles até olhavam de longe a moça quando pai e filha iam à cidade, mas não tinham coragem de se aproximar.
Um dia, João, moço bonito, violeiro de mão cheia, disse a um amigo:
— A Rosa inté parece uma rosa de verdade de tão bunita! Inda ontem ela olhô pra mim, sorriu, e dispois parece que ficô triste. Mas isso vai acabá, purque hoje à noite eu levo minha viola caipira e faço uma serenata só pra vê ela sorri de novo.
E, assim que anoiteceu, João pegou sua viola e foi para a frente da casa de Rosa. Esperou a pequena luz da casa se apagar e começou a tocar. Rosa escutou o som da viola e abriu a janela. Quando olhou o moço bonito, que já tinha visto lá na cidade, sorriu. Mas escutou um barulho dentro de casa e, quando percebeu que era o pai se levantando, disse:
— Depressa! Foge! Que meu pai num é di brincadeira!
— Intão foge comigo Rosa! — disse João — E eu toco só procê ouvi.
E Rosa, sem saber o que fazer, pulou a janela e, de mãos dadas com o rapaz, correu pelo caminho afora. João levou Rosa para o alto de uma colina, de onde dava para ver a lua redondinha e as estrelas, e tocou uma moda caipira bem bonita. Rosa sorriu encantada com o rapaz. Os dois estavam apaixonados.
Na hora de voltar para casa, Rosa ficou com medo, mas João foi com ela todo cheio de coragem.
Na verdade seu Gumercindo era um homem bom, só queria que aparecesse um moço que tivesse a coragem de pedir a ele a mão da filha em casamento. E assim, em vez de colocar o moço para correr, deixou o violeiro namorar sua filha e se casar com ela. Agora Rosa é muito feliz e sorri todos os dias ao lado do seu amado violeiro.