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SOS, onde se pratica a caridade

SOS, onde se pratica a caridade



por José Gentil Filho


São muitos os serviços oferecidos, dentre eles o fornecimento de refeições e bolsas de alimentos, mas o seu forte é o albergue


Presto uma homenagem ao SOS/Barra Mansa, considerando que lá trabalhei durante mais de quatro anos, ocasião em que tive a oportunidade de conhecer muito de perto a instituição. Revirei atas, diversos livros de registro e ouvi testemunhos, na busca de conhecer o trabalho do SOS. E vamos, então, conhecer um pouco de sua história:
Corria o ano de 1979, quando vários cidadãos abnegados, capitaneados por Joaquim de Oliveira Dutra, comprometidos com o espírito de solidariedade humana, ao fazer uma análise das dificuldades por que passavam muitas famílias em Barra Mansa, resolveram se juntar num grande projeto filantrópico: a criação de uma instituição voltada para atender a população carente e os moradores de rua. O desafio era buscar os meios necessários para resgatar pessoas, oferecendo-as uma vida mais digna, com o entendimento unânime de que nada adiantava a ajuda só num momento, se não fosse feito um acompanhamento. As conversas sobre o assunto foram evoluindo a cada encontro do grupo, até que, no histórico dia 27 de setembro de 1979, após os trâmites legais, foi oficialmente fundado o Serviço de Obras Sociais de Barra Mansa, em assembleia realizada na sede da Associação Comercial, Industrial e Agropastoril de Barra Mansa. Os trabalhos da assembleia foram abertos por Naylo de Souza, e, logo em seguida, o representante do SOS de Volta Redonda, Francisco Carvalho Cruz Junior, foi convidado para falar, quando recomendou algumas normas a serem implantadas na nova instituição, com base na bem sucedida experiência na cidade vizinha. Terminadas as exposições, Antônio Nagib Arbex foi convidado para presidir a assembleia de fundação, coadjuvado por Joel Alves Machado e Anatólio Neves de Paula, que serviram como secretários do ato oficial. A primeira diretoria, eleita naquele dia, teve como primeiro presidente da história do SOS Antônio Nagib Arbex.
Em 2 de outubro, foi realizada a primeira reunião de trabalho na secretaria da Igreja Matriz de São Sebastião, quando foi estabelecida uma contribuição mensal de Cr$ 30,00 (trinta cruzeiros), lançando-se uma grande campanha para angariar associados. Na mesma reunião, o conselheiro João Melchíades Sverberi ofereceu um imóvel de sua propriedade, no bairro Santa Rosa, para instalar a primeira sede da instituição. Antes da sede própria, funcionou em outros locais, até que o Asilo da Mendicidade de Barra Mansa, na presidência de Sebastião Plínio Sampaio, fez doação de parte de suas terras para a construção da sede própria do SOS, onde se encontra estabelecido, na rua Major Luiz Alves, nº 3, início do bairro Boa Sorte. Cedida a área, foi lançada a campanha para a construção, e, no dia 29 de setembro de 1984, a sede própria foi inaugurada. Naquele dia, o presidente do Conselho Deliberativo, Paulo Cesar Coutinho Carvalho, sentenciou em seu discurso: “Todos sabemos que a tarefa mais difícil hoje se inicia. Na verdade, é mais fácil construir do que manter. Que se preparem, portanto, os nossos voluntários e os nossos abnegados benfeitores para, numa mobilização de toda a comunidade, dar ao SOS de Barra Mansa o vigor e as conquistas de um serviço que louve e enalteça o valor de nossa sociedade.”
São muitos os serviços oferecidos, dentre eles o fornecimento de refeições e bolsas de alimentos, mas o seu forte é o albergue, que abriga itinerantes em passagem por Barra Mansa, assim como mantém albergados de longa permanência, tornando-se residências para vários homens que viviam nas ruas, onde recebem toda assistência. Na parte médica, cita-se o apoio da Santa Casa de Barra Mansa, em especial. A sua sobrevivência é garantida com doações e mensalidades de associados.
Os presidentes da instituição, no curso de sua história: Antônio Nagib Arbex, Vicente de Paulo Vasconcelos de Menezes, Mário Rodrigues Costa, Joaquim de Oliveira Dutra, Paulo Cesar Coutinho Carvalho, Carlos Lopes Ribeiro, Álvaro Afonso Torres de Freitas, Jair Fusco e Alexandre Pereira Caneda, com a observação de que alguns tiveram vários mandatos, em períodos diferentes. Com a citação dos presidentes, ficam homenageados todos os diretores das diversas gestões administrativas. Registra-se, ainda que forma simples, uma homenagem a Paulo Souza de Paula, que, durante mais de 10 anos, prestou relevantes serviços ao SOS.
Ao chegar ao final deste resumo histórico, fica registrada a homenagem especial ao idealizador do SOS, Joaquim de Oliveira Dutra, para que seu feito não se perca nas brumas do passado, levado pela poeira do tempo. Nascido em 21 de agosto de 1916, em Piranga, MG, radicou-se em Barra Mansa em 6 de maio de 1943, onde deixou gravada a marca de seu trabalho, com forte inclinação para os feitos assistenciais. Sempre quis realizar alguma coisa mais ampla no acolhimento aos menos favorecidos, e, com esse propósito, idealizou e fundou o Serviço de Obras Sociais de Barra Mansa. Faleceu em 21 de dezembro de 2005, aos 89 anos, e seu nome está ligado para sempre na história do SOS.