GREBAL

A HISTÓRIA DO GRÊMIO BARRAMANSENSE DE LETRAS

Os primeiros atos

Após a histórica noite de 6 de março, a nova diretoria começou a trabalhar, conseguindo doações de livros para a formação de sua biblioteca.


No jornal “O Líder” de 22 de março de 1975, foi publicada uma nota dizendo que além de seu presidente, Francisco Nogueira, estar coordenando esforços
para a organização da sede provisória (a funcionar em salas no centro da cidade), um dos diretores mais atuantes era o poeta e ensaísta J. M. do Lago Leal, bibliotecário, que já conseguiu expressivo acervo de livros. O primeiro grande doador foi o barramansense José Regnier Amarante, que doou uma vasta biblioteca, pertencente à Granja Paraíso, do advogado Dr. Bartholomeu Anacleto, contendo livros nacionais e estrangeiros, coleções e obras raras. Por esse motivo José
Regnier Amarante foi o primeiro a ser agraciado com o Título de Benemérito, recebendo a honraria em 9 de março de 1976. As doações podiam ser feitas através do telefone de J. M. do Lago Leal, que era 3490. Alguns anos depois, a maior doadora para a biblioteca do GREBAL foi Gercy Maia Salgado Ferreira. Os jornais da região davam apoio na divulgação, mas o que mais destacava o Grêmio era “O Líder”, dirigido por José Lourenço, e tinha entre seus colunistas Francisco Nogueira e
Jane Maleck, cedendo grande espaço para o Grêmio por muito tempo. Em seguida, outros jornais também passaram a apoiar e a divulgar. “O Sul Fluminense” e “Projeção”, ambos de Juarez Modesto, e “A Voz da Cidade”, de João Pançardes, criaram colunas literárias que eram alimentadas pelo Grêmio. No “A Voz da Cidade” destacava-se o grebalista Max Teixeira, com a Coluna do GREBAL. Em “O Sul Fluminense” havia a coluna Sociedade, Letras e Artes, e no “Projeção” a coluna Projeção Literária. Em maio de 1975, dois meses após sua fundação, o Grêmio ganhava um programa de rádio, na Sul Fluminense.

O nome da atração era “A Hora e a Vez da Literatura em Barra Mansa”, título escolhido por Eliette Ferreira, que ía ao ar às 23 horas, terças, quintas e sábados. Os organizadores eram Gerder Nardeli e J. M. do Lago Leal, este redigia as apresentações, selecionava textos de grebalistas para irradiar e idealizou o programa. O grande incentivador do programa foi o jornalista e radialista Oscar Marchi Nora. A estréia foi no dia 1º de maio de 1975. Ao longo das edições do programa,
novos colaboradores foram surgindo. Presenças como José Lourenço, Matilde Diniz Lacerda e Iramar Arbex eram constantes. A Rádio do Comércio também divulgou e abriu muitos espaços para o Grêmio. Também no dia 1º de maio, o GREBAL, visando à organização do GREBAM, promoveu uma reunião líteromusical no Clube Municipal. Foi o que podemos chamar de seu primeiro Sarau. Em 24 de maio, era lançado o primeiro concurso literário do Grêmio. Os termos do concurso eram:

“Com a finalidade de estimular a criatividade literária dos estudantes barramansenses, o GREBAL instituiu seu I Concurso Literário, que tem por tema “Olavo Bilac – O Homem e o Poeta”. Poderão inscrever-se alunos de 1º e 2º ciclos, regularmente matriculados em educandários oficiais ou particulares, sediados em Barra
Mansa. Cada participante poderá concorrer apenas com um trabalho, em prosa ou verso, o qual deverá ser inédito, não podendo ser divulgado, de nenhum modo, antes da data do encerramento do concurso. Os trabalhos serão apresentados em 3 vias, e quando em prosa terão no mínimo uma e no máximo três páginas, tamanho ofício, datilografadas em espaço dois. Se em versos, terão no mínimo 14 versos (linhas). Assinados com pseudônimo e acompanhados da identificação do autor (nome, colégio e série) em envelope menor, fechado, os trabalhos serão entregues na sede provisória do GREBAL (Av. Domingos Mariano, 196 – Associação Comercial), até o dia 15 de novembro de 1975. O julgamento será feito por uma Comissão de 5 membros de notório conhecimento literário. (dois pelo menos, professores de português). Serão atribuídos prêmios aos três primeiros colocados em cada categoria (1º e 2º ciclos), e seus trabalhos publicados em “O Líder”. A critério da Comissão poderão ser concedidas Menções Honrosas. Classificados ou não, os originais não serão devolvidos. As decisões da Comissão Julgadora são irrecorríveis, entendendo-se que o concorrente, ao inscrever-se, aceitou tacitamente as condições deste regulamento, cabendo exclusivamente à Diretoria do GREBAL decidir sobre os casos omissos.”

Em fevereiro de 1976, a comissão encarregada do concurso, integrada pelas grebalistas Matilde Diniz Lacerda, Júlia de Cássia Tardem e Silvia Moyses, decidiram aguardar a montagem completa da sede alugada na Avenida Domingos Mariano, 88/101, para apresentar o resultado, já que a solenidade de entrega dos diplomas e prêmios seria excelente motivo para conduzir o grupo estudantil às instalações do Grêmio. Não encontramos informação sobre a premiação. Muitos outros concursos vieram depois desse, como veremos mais adiante. Antes de findar o ano de 1975, em 28 de novembro, falecia o grande escritor Érico Veríssimo. A Diretoria do GREBAL decidiu homenageá-lo, dando seu nome à biblioteca do Grêmio, e enviou à sua viúva, Sra. Mafalda, uma carta, que dizia que: “ao lhe fazer essa comunicação, desejamos ressaltar a justa homenagem que os intelectuais desta cidade prestam ao imortal criador de tantas obras-primas, por isso mesmo considerado uma das maiores glórias da Literatura Brasileira.”