RESENHAS

RESENHAS, RESUMOS E OPINIÕES SOBRE GRANDES LIVROS

Dublê de Corpo



por Biblioteca do GREBAL


Autora: Tess Gerritsen
Editora: Record
414 págs.
Resenha de Arthur "Boogeyman" Döhler


Desvendando espelhos de dupla face

Ler um livro de Tess Gerritsen não é uma tarefa difícil. Isso se deve à facilidade que a construção do enredo proporciona para criação de imagens. E assim como toda necropsia, cada imagem deve ser e será desvendada, só que dessa vez há um intruso na mesa da Rainha dos Mortos: ela mesma.
Publicado em 2007, Dublê de corpo nos apresenta ao dever de se concentrar nos detalhes. Ênfase nos elementos subjetivos estabelecidos pela autora nos exemplares da série Rizzoli & Isles, como os traços femininos nas capas justapostas, alvos das mais variadas texturas e interpretações. A dama do mistério impressiona com surpresas não inéditas, mas que nunca param de surpreender, novamente temos um prólogo brevemente apresentado como subenredo. E novamente, descobriremos que o desfecho das histórias paralelas traçadas em sequência com a caçada de Maura e Jane, enchem nossos estômagos criativos e desafiam os limites da mente de Tess.
Tudo está apoiado sobre uma corda ligeiramente bamba, os dramas pessoais da médica legista, seu convívio sombrio com o passado e as sombras corriqueiras do presente. As relações entre as protagonistas, a transição de personagens casuais para objetos constantes de roteiro, o crescimento pessoal e a busca pela verdade, todas essas peças de um conjunto amarrado de maneira inteligente crescem e como uma corda, ocasionalmente proporcionam nós. O grande destaque vai para a perseguição insaciável de Maura pela única resposta que não consegue obter, nem na companhia dos mortos e nem dos vivos. Dublê de corpo é uma batalha interna contra um inimigo que não existe, ao menos, não na medida que esperamos que ele exista. Conforme a corda se estica e os eventos sucedem, a Dra. Isles coleciona mais cicatrizes do que incisões, e essas cicatrizes sangram. – Assistir esse amadurecimento de perto é um privilégio. Ver como histórias aparentemente dispersas se cruzam, isso, é apenas precisão cirúrgica.
O quarto livro da série é sem dúvida uma necropsia de Maura. E vê-la encarar todos esses terrores expostos sobre sua mesa na forma de uma mulher que lhe fornece tão pouco de tantas perguntas, pode ser perigoso. Felizmente, o perigo é muito atraente. A tensão constante, a pressa para descobrir verdades que talvez devessem permanecer escondidas e o ritmo frenético com que Tess Gerritsen cria cenários quadro a quadro, garantem que essa corda bamba nunca perderá seu balanço.
E seus nós, sem dúvida, são muito apertados.

Nota: 5/5

Autor da Resenha: Boogeyman (Arthur Döhler)